Neste momento, nossas crianças precisam de amor e segurança emocional!

O isolamento social  tende  a  revelar e  potencializar dificuldades na convivência e  no cotidiano.  As recomendações  para lidar  com  o  momento  dependem  da  idade  das  crianças  e  das  configurações particulares de cada família. É muito importante as crianças terem uma rotina e as videochamadas são importantes para manter vínculos com familiares e com a escola.

A surpresa e  a incerteza não são exatamente duas novidades para quem tem filhos.  Quando chegam, bebês e crianças nos  apresentam a necessidade de viver mais  o presente  e fazer planos de curto prazo. No entanto, as medidas  de  isolamento  em  função  da  pandemia  do  Coronavírus  e todos os cenários possíveis   para   o  próximo   período   projetaram  os  nossos  entendimentos  de  dúvidas,  surpresas  e incertezas  para  um  novo  patamar.  Fomos  pegos  de  surpresa  e estamos isolados há meses. Então, é normal que estejamos enfrentando dificuldades com a rotina e com a convivência.
A realidade deste momento depende da idade das crianças e de como cada família conseguiu encarar o que   está  acontecendo.  O  isolamento  está  nos  fazendo  pensar em  tudo  o  que  já  vivíamos  antes  e provocando  uma   revisão  de  tudo  o  que   pensávamos.  É  importante   estarmos    atentos  a  como  a criança está respondendo. Diante disso, avaliar o que pode ser feito  e que batalhas valem a pena.  Neste período,  é importante sabermos quando é preciso ser mais  “permissivos”,  mas  que  a  criança  precisa, fundamentalmente, de segurança emocional.
E  nesse  sentido,  a   culpa  é  uma   vilã.  Não  podemos  ter  culpa  de  dizer  não,  mas  também  não é interessante  dizer sim para tudo, porque a rotina é muito importante para a segurança emocional deles. Inclusive,  neste momento,  eles  estão  também  aprendendo:  que  estão  em casa, mas os pais não estão todo tempo disponíveis, que precisam esperar que mesmo em casa, existe algum ordenamento.
Recomenda-se  que  as  famílias  criem  rotinas  e  estabeleçam  momentos  de  convivência,  a partir de combinados  e  códigos.  Com  as crianças mais velhas, os combinados falados e escritos funcionam,  mas com  as  mais  novas,  códigos  visuais  com  cores  e  desenhos  podem  funcionar melhor. Ela explica que é  saudável  a  criança  reivindicar  atenção  e estar confusa.  O lugar do adulto é apoiar o acolhimento e o ordenamento da realidade.
Negar esta realidade não é uma boa opção.  Se  a  família  não  conversar  com  a  criança, ela pode ficar ainda mais desconfiada,  confusa e insegura.  Fazer de conta que o vírus não existe gera um mal-estar.  O modo  de  lidar  com  isso  também  depende da idade da criança e de como a família quer enfrentar. Mas algumas  soluções  possíveis  são desenhar, trabalhar com outras linguagens, brincar e sempre responder de acordo com o que a criança apresenta, pois ela dá uma medida do entendimento dela.
As  vídeo-chamadas  estão  no  campo  do diálogo e  também no âmbito do  “viver o possível”.  Antes da pandemia,  éramos  todos contra a exposição excessiva às telas.  Hoje,  precisamos  compreender  que  os vídeos são  a  linguagem  possível  para  que  as  crianças  mantenham  o  vínculo emocional com pessoas significativas.  Para ela,  isso  se  aplica  tanto  às  conversas  com familiares, quando às conversas com as professoras e educadoras da escola.
Certamente,  haverá prejuízos, mas também precisamos olhar para ganhos que as crianças estão tendo neste momento, como  por exemplo a convivência  com  os  pais  de  uma  forma  que muitas certamente nunca  tiveram.  Há  perdas,   mas  as  crianças  recuperam   isso   muito  rápido.  Inclusive,  com  a  base emocional  que  estão  ganhando  em  casa  neste  momento,  estarão fortalecidas para resgatar qualquer possível  perda.  Além  disso,  estamos  todos  juntos  atravessando este momento.  Veremos  uma  saída coletiva, com certeza.
Estamos  em  um  momento em  que  as  crianças  começam  a demonstrar mais cansaço e apatia.  Nós adultos também estamos assim, então é comum que as crianças também estejam. Acredito que a melhor saída  seja  observar e  ver  se esta apatia perdura.  Qualquer análise deve ser feita no tempo:  Às vezes  a criança  está  apenas  cansada ou tem um ganho secundário com o mau humor ou é apenas algo daquele dia.  Mas  uma criança de até sete anos por mais de uma semana  em comportamento  atípico  que  traga prejuízos escolares, emocionais e familiares talvez esteja precisando de ajuda.
Nós da escola também estamos  disponíveis  para  apoiar  as  famílias  neste  momento.  Não  com  um atendimento especializado,  mas como  é  em outros momentos, em que ajudamos a reconhecer as fases que oscilam e  os  estados das crianças.  Podemos  ajudar oferecendo encontro  ou  conversa  que  possa ajudar a tirar as crianças de uma solidão ou tristeza.  A  escola pode ajudar,  porque tem  uma leitura do comportamento prévio da criança antes desta situação.
Em um breve retorno, acreditamos que  as crianças irão enfrentar uma série de desafios de adaptação, parecidos com o que acontece em um novo ano letivo, mas se os pais estiverem tranquilos, transmitirão segurança  a  esta  criança.  Se  estiverem  inseguros,  a  tendência  é  esta criança  também  ter  algumas inseguranças.
Além  de  manter  a rotina,  dialogar,  trabalhar os vínculos importantes para as crianças e  estabelecer códigos de convivência,  também é um momento de muita incerteza. Temos que lidar com ele,  entrando em contato com as dores e admitindo  os sentimentos que temos.  Somos humanos  e temos sentimentos ambíguos  e  controversos.  Como  estamos em  um momento muito incerto,  temos  que  fazer  planos de curto prazo com objetivos alcançáveis, para não nos frustrarmos ainda mais. E muita calma. Estamos em uma situação inusitada e não temos como saber nem controlar nada.

#isolamentosocialinfantil
#educaçãoinfantil
#emocionalinfantil
#infanciafeliz
#pandemia
#saudementalinfantil
#sentimentoinfantil
#paisefilhos

1 responder

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *